quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ecologistas - A eterna falta de bom senso



Há várias coisas que sempre me deixaram perplexo com os ecologistas. Uma delas é a associação política à esquerda. Se está em causa a defesa do ambiente é quanto a mim um paradoxo associarem-se aos partidos de esquerda. Tirando os Estados Unidos, em todo o mundo são os países de esquerda os que menos têm respeitado o ambiente, veja-se como exemplo a China e as suas catástrofes ecológicas.

Mas opções à parte, e já que os verdes não tiveram arcaboiço para se afirmarem enquanto força política independente da politiquice comum, podemos questionar algumas das opções mais "verdes".

Uma das características das câmaras verdes ou comunistas, ou verdes... ou comunistas é o de plantar relvados por todo lado, até nas rotundas, bem como parques com muita relva, mamarrachos alusivos à revolução e umas árvores por aqui e além.

Se o conceito estético é duvidoso, a eficácia ambiental parece-me muito fraquinha e era sem dúvida benéfico que em muitos casos deixassem ficar as matas com as espécies autóctones em vez dos parques da liberdade da paz e afins.

Mas voltando ás grandes causas verdes, temos a entrada nas grandes cidades como exemplo típico das grandes bandeiras dos ecologistas. Lamentavelmente este tipo de medida faz-me sempre lembrar o antigo regime comunista soviético onde só os carros do partido podiam circular em amplas avenidas vedadas aos demais cidadãos do povo, o tão aclamado povo.

Numa cidade verde, perfeita, sustentável, todos andavam de transportes ou aglutinavam-se em carros de matriculas impar, ou par conforme o dia, todos sorriam ao olhar os imensos parques de estacionamento onde os outros, também eles felizes, agora estacionam sobre o asfalto onde antes existia serra, mato e outras plantas feias.

Sim que essas, as plantas que nascem onde não devem são quase todas feias, desordenadas e mal comportadas; no mundo verde haveria imensos viveiros camarários onde seriam criadas todas as plantas e flores, as bonitas, não as que existem no campo e nos valados. Estas flores seriam depois colocadas em canteiros preparados para o efeito, aqueles bem delimitados entre a Rua A e a B ou preenchendo toda a praceta ao fundo do bairro, no espaço entre a pista das bicicletas, o parque dos skates mais o dos patins e ainda o pequeno laguinho onde sobrevivem ainda algumas resistentes tainhas.

Na cidade verde arrasam-se as árvores seculares para circular o metro e mais as bicicletas e outra infinidade de veículos, todos eles imensamente verdes.

E então os defensores da cidade verde não querem mais pontes porque isso era mais carros, cruzes credo, isso é que não.

Esquecem-se os brilhantes cérebros verdes que centenas de milhares de carros nas filas a deitar fumo de escape poluem mais que uma central termoeléctrica. Esquecem-se as mentes verdes que as horas de trabalho perdidas no trânsito custam caro a um país que está em crise. Esquecem ainda a quantidade de horas de descanso suprimidas, a paciência esgotada e a carga de nervos no inicio e final do dia que serão tudo menos saudáveis. Esquecem-se os verdiculas que facilitando o transito os carros gastam menos e poluem menos.

E o que sobra no meio disto é que para o protagonismo de algumas figuras, continua a não se encontrar soluções para os peões e carros conviverem na mesma cidade, continua-se a permitir os congestionamentos à entrada das cidades, tirando horas de trabalho, de descanso, de saúde mental e gerando toneladas de CO2 e tantos outros poluentes.

Como tenho direito de pensar e de exprimir, sinto-me mais ecologista que a maioria daqueles que se dizem, vá-se lá saber porquê, defensores da natureza, do clima e do ambiente.




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