quinta-feira, 10 de julho de 2008

Tempos de crise


(Preços do gasóleo - fonte New York Times)

Nos tempos que correm, onde se conjugam uma série de dificuldades a diferentes níveis, a generalidade das pessoas são afectadas por um ou vários problemas.

Desemprego, baixos rendimentos, doença, fome, são inumeráveis tipos de problema a concorrer para uma baixa qualidade de vida a que poucos escapam. Para além dos problemas que afectam cada indivíduo em particular existe um mal-estar e uma desconfiança, ou falta de confiança no evoluir da economia que acaba por arrastar todos os outros indicadores.

Ao mal-estar pessoal acresce o facto de cada um ter conhecimento de inúmeros problemas ao redor do indivíduo ou da família enquanto ilha. Esta ilha, que tem vindo a reduzir de tamanho, não deixa de se aperceber das outras ilhas em volta e dos problemas que existem de forma generalizada.

Para tentar contornar estes problemas, quando ainda nem tudo estava mal, as grandes metrópoles tentaram afastar os males. Mudaram os bairros problemáticos para as periferias e tentaram por tudo afastar os pobres das ruas encaminhando-os para centros de acolhimento, o que em grande medida resultava até para o bem das pessoas.

O problema desta crise generalizada, que vai necessariamente terminar tal como todas as outras terminaram ao longo da história, importa cuidar do presente mais ainda do que pensar no futuro.
O evoluir para o final da crise exige obviamente que se pense no futuro e onde queremos chegar, mas entretanto importa cuidar das pessoas. Enquanto as soluções não forem aparecendo vai acontecer o sacrifício de muita gente, sacrifício este que até pode ser da dignidade ou da falta de assistência aos mais diversos níveis. Quando as coisas correm bem as pessoas algumas campanhas bem apresentadas podem levar a manifestações de solidariedade aos mais diversos níveis.

As pessoas tendem a contribuir para a melhoria da sua comunidade, podem aceitar mais facilmente os aumentos das taxas e podem até surgir medidas mais filantrópicas.
Então a questão é que dada a situação de crise, as pessoas tentam em primeiro lugar resistir ao embate o que dificulta a ajuda aos mais necessitados. Este comportamento é perfeitamente natural, mas os estados têm que se chegar à frente no apoio ás populações e na garantia das condições mínimas e até acima do mínimo.

Quanto ás pessoas, há que resistir, aguentar o embate até ao dia em que se vai dizer que a crise, as diversas crises, estão a melhorar.

Os sinais são preocupantes mas não estão nas mãos nem das pessoas nem dos pequenos países, portanto resta-nos ter esperança na recuperação porque mais cedo ou mais tarde vai acontecer.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Se o mundo nos cair em cima



Um dos factores que leva o homem a agir é a necessidade de sobrevivência ou a vontade de melhorar as condições de vida. A sobrevivência continua a falar mais alto nas profundezas do cérebro, como o provam diversos trabalhos de investigação clínica.

Nas situações de emergência este mecanismo leva-nos a reagir, a fugir do perigo ou a parar antes do acidente. O problema põe-se quando a situação de perigo não é evidente aos diferentes níveis do cérebro, isto é, quando o problema não parece requerer acção urgente e portanto os mecanismos mais profundos não estão activados.

Estamos a falar por exemplo, de quando uma pessoa tem uma alimentação descuidada e coloca em risco a saúde sem que se aperceba, porque não há um sintoma imediato. Ou quando há um vício que vai arruinando a saúde mas não constitui um risco imediato.

Todos os dias nos expomos à radiação ultravioleta do sol, a qual não é visível. Se fosse uma luz vermelha ou azul provavelmente não deixávamos que atingisse a nossa pele. Também a combustão dos motores polui o ar, mas como os gases são incolores ou se dispersam no ar, não temos a mínima percepção das substâncias nocivas que estamos a respirar. O mesmo se aplica ao tabaco. Deixo as questões de sistema nervoso autónomo, simpático e parassimpático para quem de direito.

Vem isto a propósito do que tem acontecido nos últimos tempos ao nível da energia, economia e ambiente. Qualquer destas vertentes não foi acautelada em tempo útil e o resultado está à vista. Sem dúvida que a economia escapa um pouco a este cenário já que estão em jogo interesses pessoais ou corporativos. Já o ambiente é um conceito muito mais vago e secundário para quase toda a gente e em especial para quem tem o poder financeiro.

Os cuidados do ambiente nunca foram seriamente acautelados sobretudo porque teriam reflexo nas finanças, e a prioridade dos interesses pessoais, leia-se finanças, prevalece sempre sobre o bem colectivo, o ambiente. Já a energia tem outro problema, o petróleo era barato e o desenvolvimento industrial foi baseado em máquinas que consomem derivados do petróleo. Como o desenvolvimento e a economia é feita baseada nos pressupostos actuais ou a curto prazo, sabia-se que o petróleo havia de escassear, mas como diria Abraracourcix nos livros de Asterix “o mundo vai-nos cair em cima, mas amanhã não é a véspera desse dia”.

Hoje sabemos que o mundo nos vai cair em cima! De uma forma ou de outra, vamos sofrer as consequências da destruição das condições ambientais que deveriam existir num mundo em equilíbrio.

O problema é precisamente a falta de percepção do que se passa a uma escala global e o facto desta destruição ser progressiva não representando, em qualquer momento, uma urgência de actuação.

Não adianta falar dos inúmeros sinais das alterações climáticas, porque mesmo com a água até ao pescoço e ainda que 'o mundo nos caia em cima', haverá sempre quem diga que não acredita.