
Um dos factores que leva o homem a agir é a necessidade de sobrevivência ou a vontade de melhorar as condições de vida. A sobrevivência continua a falar mais alto nas profundezas do cérebro, como o provam diversos trabalhos de investigação clínica.
Nas situações de emergência este mecanismo leva-nos a reagir, a fugir do perigo ou a parar antes do acidente. O problema põe-se quando a situação de perigo não é evidente aos diferentes níveis do cérebro, isto é, quando o problema não parece requerer acção urgente e portanto os mecanismos mais profundos não estão activados.
Estamos a falar por exemplo, de quando uma pessoa tem uma alimentação descuidada e coloca em risco a saúde sem que se aperceba, porque não há um sintoma imediato. Ou quando há um vício que vai arruinando a saúde mas não constitui um risco imediato.
Todos os dias nos expomos à radiação ultravioleta do sol, a qual não é visível. Se fosse uma luz vermelha ou azul provavelmente não deixávamos que atingisse a nossa pele. Também a combustão dos motores polui o ar, mas como os gases são incolores ou se dispersam no ar, não temos a mínima percepção das substâncias nocivas que estamos a respirar. O mesmo se aplica ao tabaco. Deixo as questões de sistema nervoso autónomo, simpático e parassimpático para quem de direito.
Vem isto a propósito do que tem acontecido nos últimos tempos ao nível da energia, economia e ambiente. Qualquer destas vertentes não foi acautelada em tempo útil e o resultado está à vista. Sem dúvida que a economia escapa um pouco a este cenário já que estão em jogo interesses pessoais ou corporativos. Já o ambiente é um conceito muito mais vago e secundário para quase toda a gente e em especial para quem tem o poder financeiro.
Os cuidados do ambiente nunca foram seriamente acautelados sobretudo porque teriam reflexo nas finanças, e a prioridade dos interesses pessoais, leia-se finanças, prevalece sempre sobre o bem colectivo, o ambiente. Já a energia tem outro problema, o petróleo era barato e o desenvolvimento industrial foi baseado em máquinas que consomem derivados do petróleo. Como o desenvolvimento e a economia é feita baseada nos pressupostos actuais ou a curto prazo, sabia-se que o petróleo havia de escassear, mas como diria Abraracourcix nos livros de Asterix “o mundo vai-nos cair em cima, mas amanhã não é a véspera desse dia”.
Hoje sabemos que o mundo nos vai cair em cima! De uma forma ou de outra, vamos sofrer as consequências da destruição das condições ambientais que deveriam existir num mundo em equilíbrio.
O problema é precisamente a falta de percepção do que se passa a uma escala global e o facto desta destruição ser progressiva não representando, em qualquer momento, uma urgência de actuação.
Não adianta falar dos inúmeros sinais das alterações climáticas, porque mesmo com a água até ao pescoço e ainda que 'o mundo nos caia em cima', haverá sempre quem diga que não acredita.
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