
Para que uma planta nasça e se mantenha viva, não são precisas demasiadas condições. Basta conseguir absorver água, ter acesso a alguns nutrientes e, na maioria dos casos, estar exposta à luz. Há vegetais que precisam de mais condições, outros vivem nas condições mais adversas e improváveis. Em geral temos a sensação que há algum acaso quanto ao local onde as plantas nascem e que a própria natureza se encarrega de fornecer essas condições mínimas.
Quando passamos aos animais, a coisa complica-se dado que existem uma série de órgãos que precisam manter-se a funcionar. Sem entrar na diversidade de animais e de diferentes órgãos, regra geral há um cérebro irrigado por sangue que circula por acção de um coração que precisa estar a bater continuamente. Ou seja, a complexidade cresce e em termos de manutenção isso reflecte-se. Os animais precisam de se alimentar diariamente ou várias vezes ao dia.
Quanto a nós humanos, além de necessitarmos de 3 refeições ao dia, em condições normais, precisamos de nos manter saudáveis, limpos e com uma série de requisitos mais complicados que os animais. Como a maioria de nós vive em cidades, não temos acesso directo à produção de alimentos, sejam animais ou veetais, temos então que comprar alimentos com uma grande regularidade (para serem frescos) e temos que trabalhar diariamente para conseguir suportar esses gastos. O dinheiro é a forma de contornarmos a falta de ligação à terra e à produção.
Até aqui tudo será óbvio. Mas o que me levou a esta reflexão são vários factores. O nosso organismo é bastante complexo, precisamos de ter uma quantidade de nutrientes para que os nossos sistemas funcionem e um mínimo de condições ambientais. Temos que manter os nossos diversos órgãos em bom estado nem que para isso sejam precisas intervenções clínicas. Além disso é preciso um certo grau de eficiência, por exemplo, temos para quase tudo que utilizar os olhos, se não tiversos boa acuidade visual temos que utilizar óculos ou lentes. Para a complexidade da vida que levamos, não basta distinguir claros e escuros como acontece para alguns animais.
Repare-se agora o que é manter toda esta complexidade de requisitos em 5 ou 6 biliões de pessoas! Começa-se a tornar evidente que tal não é possível, simplesmente porque não há condições para que a Terra forneça tantos tantos produtos em tão grande quantidade. Acresce ainda que a distribuição de recursos na Terra é muido desequilibrada, exitindo zonas com valiosos depósitos ou muito produtivas (com água e nutrientes) e outras sem recuros. Quase todas as zonas são habitadas com maior ou menor densidade. A única forma de conseguir minimizar as dificuldades das zonas mais pobres é com o que s denmina por solidariedade, isto é, os que têm mais ajudam os que têm menos condições a manterem-se. Outra forma de resolver tais problemas é aumentando a eficiência dos meios de produção, quer com inteligência quer com tecnologia resultante do exercício dessa inteligência. Sendo assim o que parece determinante para sobrevivermos enquanto espécie parece ser mesmo a inteligência. Quanto à capacidade de a por ao serviço dos outros, dizem que é uma elevada capacidade social que nos distingue dos outros seres vivos. Será mesmo assim?
A acrescer a estas necessidades, criaram-se uma serie de necessidades não tão vitais (mas que por vezes acabam por se tornar essenciais),como sejam; um local adequado para viver, meios de transporte, conforto e uma serie de necessidades que fomos criando; computadores, equipamentos de TV e rádio, telemóveis, e uma serie de outros dispositivos mais ou menos necessários.
Dizem as pessoas que não se sentem felizes se não tiverem todos ou quase todos estes requisitos. Há um grande investimento, quer no desenvolvimento dos mesmo, quer na produção e comercialização. Isto traduz-se no custo final que implica essa mesma produção, a distribuição e comercialização e todos os custos associados; Pessoas, equipamentos, transporte, combustível, etc…
Fica a pergunta; se existem tantas pessoas que precisam da referida manutenção diária básica e essencial; alimentos e água potável, com a higiene e os cuidados médicos quase ao mesmo nível em termos de necessidade, porque razão as outras pessoas (uma suposta minoria) investe tanto e despende tanto de recursos e energia a produzir tanto para além do essencial, quando a maioria das pessoas não tem sequer o essencial?
O que falha aqui afinal?
Se atendermos à diferença das moedas, do PIB per capita dos países menos desenvolvidos, vemos que a quantia que uma pessoa nesses países precisa para sobreviver durante um ano é bastante menos do que uma pessoa gasta em qualquer dos acessórios (e.g. telemóvel) num dos países mais desenvolvidos.
E porque precisam alguns de tanto para serem “felizes” e outros podem ser “felizes” com tão pouco que os outros lhes possam dar?
Para final de reflexão; a nossa maior arte é contrariar o limite que a natureza nos coloca relativamente ao número de indivíduos e à sobrevivência dos mesmo (tal como faz com as outras espécies onde curiosamente o Homem é o factor de desequilíbrio).
A reflexão que se impõe é; de que forma estamos a forçar a nossa numerosa presença no planeta, de que forma vamos continuar a manter os nossos complexos sistemas vitais e que consequencias isso terá para os diversos seres vivos e para a sustentabilidade da própria Terra.
Estaremos a chegar ao limite? estamos a ignorar sinais evidentes desse limite? e depois do limite o que se segue?
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