
Hoje em dia uma questão que se coloca muito é o desinteresse das pessoas pela política, em especial dos jovens. Não posso responder pelos outros, mas posso responder por mim. Não acredito no sistema em Portugal, não confio na justiça e muito menos na liberdade de expressão.
A única liberdade em que acredito é a liberdade de pensar, essa ainda não podem atacar, mas já todas as outras formas de expressão são, quanto a mim, questionáveis.
Vejamos; se eu pensar mal digamos do primeiro-ministro ou do presidente da república, nada me pode acontecer. Mas se eu o escrever ou disser mal, mesmo que seja o que penso, como é?
Ah pois é…
Ou as afirmações são muito suaves, ou… quem as disser terá que responder em tribunal.
E chamam a isto Liberdade…
Claro que a liberdade acarreta responsabilidade, mas também é verdade que quem está num cargo público expõe-se! Mas também por isso tem assessores e protecção jurídica especial, tão especial que podem recusar-se a ir a tribunal: imunidade diplomática.
O que acontece é que os chamados defensores da liberdade instituíram a proibição de falar mal… deles próprios.
No tempo da opressão, antes do 25 de Abril, os actuais governantes e detentores de cargos de poder rebelaram-se contra o poder instituído, por isso tornaram-se “heróis” e acederam a um estatuto e protagonismo que de outra forma podiam não obter. Hoje estabelecem as regras da liberdade, ou seja, as regras da repressão!
As manifestações estudantis eram, no tempo deles, formas de expressão da liberdade e da revolta da juventude que aspirava a uma sociedade melhor e mais justa… é lindo!
Hoje, são uns índios, uns irresponsáveis e uns prevaricadores. O que mudou então?
Mudou uma geração, mudou que “os outros” agora são eles!
Mas curiosamente esta geração é a geração dos filhos dessa geração tão lutadora e que tanto se congratula com as ‘vitórias de Abril’ mas foram também eles que mandaram a policia carregar nos estudantes (era tão romântico no tempo deles) e agora é “a defesa do estado de direito”. Obviamente os jovens cansaram-se, desistiram e os jovens de há 5 ou 10 anos são hoje os adultos amorfos e descrentes que já não querem saber da política e dos politicos, não acreditam em nada e querem que os deixem em paz com a sua prestação da casa (sempre a subir) uns litros de gasolina a preço de ouro e com o carro a ver se passa mais uma inspecção!
Qual é então o espanto dos jovens e até dos adultos se terem desligado da politica?
Eu acho no mínimo uma hipocrisia que venham mostrar grande admiração com isso.
Por último, devo dizer que acho inaceitáveis as manifestações xenófobas por contrariarem a igualdade que deve ser uma meta para qualquer sociedade que se queira justa e equilibrada.
Não concordo com movimentos radicais nem com a difamação despudorada e gratuita, tudo bem. Mas o que tem acontecido é que a repressão toca a todos que são contra os governos, não só este, mas todos os últimos governos.
Senhores políticos; ganharem eleições não é receberem um chegue em branco!
A democracia quer-se participativa, quando se ignoram as manifestações de estudantes, professores ou outros trabalhadores está-se a promover um país autocrático onde o grupo do poder vai rodando mas que se estratifica nos que fazem parte da politica e nos “outros”.
Assim se afastam as pessoas da política e da participação cívica na sociedade.
Para quê manifestar opiniões se o máximo que daí resulta é repressão?
Todos assimilámos a ideia de que não adianta espernear; não adianta pensar, não adianta dizer, não adianta manifestar... nada adianta porque nada muda, a menos que eles queiram, mas isso é tratar-nos a todos como crianças como incapazes e ignorantes. Então não sei se os políticos têm o povo que merecem ou se o povo tem os políticos que merece.
Identifico-me com o centro de direita, mas não gosto do que têm feito nestes últimos 10 anos com o meu país. Tenho dito!
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