
Hoje em dia temos uma gama extremamente variada de opções na nossa vida.
Torna-se complicado até falar nisso. Desde miúdos temos uma variedade incrível de brincadeiras, de jogos e até de dispositivos, cada um fornecendo inúmeros jogos. Quase como as caixas chinesas umas dentro das outras, assim são as consolas de jogos. De tal forma que hoje é comum dizer-se que uma criança não tem tempo de brincar com todos os brinquedos que tem disponíveis. Falar sobre este tema era, como se costuma dizer “outros 500” pois passava pelas alterações desde um passado recente de jogos tradicionais, da televisão, das múltiplas ocupações e de todos aqueles que ainda hoje não têm acesso a nada disso por falta de meios económicos. Mas isso ficará para outro post.
Enquanto adultos, seja qual for o tema as opções são variadíssimas, desde os modelos dos carros, os extras, as casas, os artigos lúdicos, as bicicletas, os gadgets. Tudo isto é muito difícil de sintetizar, mas de facto temos uma multitude de opões seja qual for o tema. Até nos assuntos mais simples existem diversas marcas ou diferentes fornecedores sempre com prós e contras.
Passando ao rumo das nossas vidas, existe também esta grande diversidade. Com gama de cursos disponíveis, a facilidade com que hoje se viaja e a possibilidade de escolher modos de vida diferentes, ou de pelo menos tentar, estes são sem dúvida tempos de diversidade.
Mas coloca-se agora a questão; sendo o homem estruturalmente e com capacidades semelhantes desde os últimos séculos, que alterações ao nível do modo de estar na vida e da percepção do mundo poderá trazer este mundo de escolhas que é a marca destes tempos.
Até no trânsito somos confrontados permanentemente com a necessidade de decidir, avançar ou ceder passagem, ir por esta rua ou por aquela, acelerar ou travar… cumprir ou exceder.
Que treino tem o nosso cérebro para todo este paradigma da escolha permanente?
Que efeito tem para nós o facto de o mundo tal como o conhecemos hoje poder ser radicalmente diferente amanhã?
Vejam-se os equipamentos electrónicos que mudaram todas as relações humanas, nos últimos tempos provavelmente o telemóvel será a mais marcante depois da internet e com consequências a todos os níveis, umas mais positivas que outras, como tudo.
Em resumo, que espaço fica para viver para além do “escolher”?
Que fundações tem a nossa vida e o nosso meio quando parecemos ser personagens dentro de um filme cujo cenário muda permanentemente?
Qual será a nossa linha de horizonte, sabemos para onde nos dirigimos e onde queremos chegar?
Finalmente, nestes tempos em que tudo muda, em que estamos em permanente aprendizagem de instruções, de procedimentos, em que as nossas ferramentas de vida que um dia foram a enxada e o arco das flechas são hoje variadíssimos e complexos equipamentos, onde fica o homem? Nós somos biologicamente praticamente iguais, mas o mundo em redor mudou radicalmente e está numa velocidade de mudança vertiginosa. Como vai o homem se adaptar a este modo de vida?
Para final de reflexão; quando nascemos temos a mesma carga genética que há centenas de anos atrás, o que acontece então ao desenvolvimento da criança num meio completamente diferente? Estaremos à altura de tudo isto, o que será que sacrificamos?
Pessoalmente creio que o homem é um dos animais da Terra, com características muito próprias, é um facto, mas que como os outros terá certamente um habitat mais conveniente, mais adaptado. Será que nos tempos que correm vivemos num bom habitat, que corresponde ás nossas necessidades biológicas, cognitivas e emocionais?
Estes são alguns dos sinais destes tempos que certamente têm repercussão no homem de hoje e naquilo que é o rumo das nossas sociedades.
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