quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Dimensão da Indiferença (I)


A questão da indiferença das pessoas é um dos temas que se afiguram simples de identificar e extremamente complexo de debater.

Uma das grandes consequências da globalização e do acesso que temos ás notícias do mundo é a consciência que nós tomamos diariamente do que se passa nessas outras partes do mundo com pessoas idênticas a nós. Tão idênticas que podíamos ser nós próprios. Seguindo este raciocínio rapidamente percebemos que para as outras partes do mundo nós somos "os outros".

Quando ouvimos as notícias, quase sempre são más noticias, por diversas razões; porque é o que as pessoas gostam de ouvir, o que dá audiências, o que vende jornais, etc...

Muito se poderia dizer da voracidade dos jornais em publicar o que é mau, o que é terrível e em como eles influenciam e são influenciados pela opinião pública. Mas não entrando, para já, por aí, temos diariamente uma dose de más notícias.
Sendo assim, o que nos importa em particular, é nunca ser "os outros" pelo menos não na maioria das notícias que, como foi dito, são más noticias.
Então o que nos faz de facto diferentes dos outros?

É uma questão pertinente. Talvez o facto de vivermos num país mais tranquilo, fora do grupo de risco que é o terceiro mundo e onde estas catástrofes da natureza não são frequentes.
Em geral não nos preocupamos demasiado com isto, diria que ninguém por aqui deixa de dormir porque há um furacão ou um terramoto do outro lado do mundo.
Mas então qual é a proximidade para nos preocuparmos?

Se fosse na nossa cidade seria uma catástrofe até porque certamente tínhamos lá familiares ou amigos, se fosse noutra cidade do país também ficaríamos preocupadíssimos, e se fosse em Espanha... França... América... até onde? - Está em causa uma questão geográfica, cultural ou religiosa? Em sintese a questão será sempre onde se situam as nossas fronteiras em cada um destes aspectos ou na súmula de todos eles?

Por outro lado, se nos preocupamos o que isso vai adiantar? O que altera o facto de nos preocuparmos?
Para nós importa para a nossa tranquilidade e para a nossa felicidade, mas para os outros só importa se estivermos dispostos a agir. Mas partindo do princípio que estamos dispostos a agir, no que se pode traduzir essa ajuda? - Dinheiro, roupas, alimentos, apoio moral?

São de facto questões dificeis de responder, mas que esperamos sempre que exista o "nós" e os "outros" e em que as coisas acontecem "aos outros" e "nós preocupamo-nos, ou não, ajudamos, ou não, ignoramos, ou não.

Não é uma visão bonita do nosso modo de ser e da nossa atitude perante os outros. Mas pergunto; podia ser outra?

Cada um encontrará a sua resposta, a minha resposta muito pessoal é que dificilmente seria diferente mas que se cada um de nós se fosse menos indiferente, por pouco que fosse, o mundo seria um local bem melhor de certeza.

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