quarta-feira, 14 de maio de 2008

A Dimensão da Indiferença (II)


A nossa capacidade de esquecer maus acontecimentos do nosso passado, funciona na maioria das vezes, como uma importante defesa dos nossos tormentos. Em muitos acontecimentos traumáticos as pessoas esquecem completamente o que lhes aconteceu durante um episódio ou uma fase da vida. Estes mecanismos de defesa, sobejamente conhecidos em psicologia, acabam muitas vezes por ter um efeito positivo na nossa vida e na nossa estabilidade emocional.

Quando estes acontecimentos não são connosco afectam-nos menos, se forem com pessoas próximas podem ainda nos abalar. Mas se for com pessoas afastadas, qual deverá ser a dimensão da nossa indiferença?

O que assistimos hoje em dia com a generalidade das pessoas com quem convivemos diariamente é que a questão da indiferença nem se coloca porque tirando os acontecimentos muito badalados, o resto passa completamente ao lado. Há uma ignorância generalizada que resulta desta permanente difusão de notícias.
Então neste caso pode-se dizer que a dimensão da ignorância tira significado à dimensão da indiferença. Naturalmente toda a gente é indiferente àquilo que desconhece!

Voltando ao inicio deste ponto, existe uma capacidade de esquecer o passado associada à necessidade de nos proteger do sofrimento que certas situações acarretam. Então se nós formos sensíveis aos 'males do mundo' não seria útil não esquecermos também tantos problemas que por lá acontecem?
Visto dessa forma, ignorar pode ser uma boa escolha e ser indiferente uma capacidade que nos protege do sofrimento.

Mas então como fica a dimensão da nossa responsabilidade social e individual perante um mundo, do qual não nos poderemos nunca dissociar?

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